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Endocrinologia e Diabetologia Pediátrica

Prevenir a diabetes na criança e no adolescente

A forma mais comum de diabetes na criança é a Tipo 1, que não é possível prevenir — mas é possível detetá-la cedo. Já a Tipo 2, essa previne-se, e começa-se na infância.

Diabetes infantil: o que é?

A forma mais comum de diabetes na criança é a Diabetes Tipo 1, em que a destruição maciça das células produtoras de insulina do pâncreas é responsável por um aumento dos níveis de açúcar no sangue. É essencial o tratamento com insulina subcutânea várias vezes ao dia para garantir a sobrevivência.

Detetar precocemente a diabetes na criança é fundamental para prevenir complicações agudas graves e contribuir para o rápido controlo da doença, o que permitirá à criança manter uma vida igual à de todas as outras.

Não deve ser confundida com a Diabetes Tipo 2, a forma mais frequente de diabetes (90% dos casos), que surge sobretudo na idade adulta e está intimamente relacionada com a obesidade, o sedentarismo e uma alimentação pouco saudável, rica em gorduras e hidratos de carbono e pobre em fibras. Esta forma de diabetes é rara nas crianças e jovens portugueses, sendo a sua prevalência importante em regiões como os EUA, o Brasil, África e o Japão. Neste tipo de diabetes a síntese de insulina é suficiente, e muitas vezes até elevada, mas os órgãos deixam de responder ao seu efeito, surgindo, tal como na Diabetes Tipo 1, excesso de açúcar no sangue.

Sintomas aos quais deve estar atento

Se notar no seu filho este conjunto de sintomas, fique atento, pois coincidem com a sintomatologia típica da Diabetes Tipo 1:

  • Sede excessiva
  • Urinar com muita frequência e em grande quantidade
  • Apetite voraz
  • Emagrecimento
  • Cansaço

A Diabetes Tipo 2 é de aparecimento muito lento e silencioso, não se manifestando habitualmente com este quadro e muito menos nesta faixa etária.

O que fazer

Em caso de suspeita, a criança deve fazer imediatamente uma análise aos níveis de açúcar no sangue, que pode ser feita através de uma picada no dedo, na farmácia, no centro de saúde ou no hospital.

Em caso de valores iguais ou superiores a 200 mg/dl, o pediatra será o primeiro especialista a poder ajudar. É fundamental encaminhar a criança para um dos centros de diabetologia pediátrica disponíveis em vários pontos do país, onde será traçada a melhor estratégia de controlo da doença e de manutenção de um estilo de vida saudável.

Tratamento

A insulina, o exercício físico e a alimentação saudável são os pilares do tratamento da diabetes na criança (Diabetes Tipo 1). Se for mantido um bom controlo dos níveis de açúcar no sangue, a criança poderá manter padrões de vida normais — educacionais, profissionais e sociais — tal como outras crianças da mesma idade. Para isso é importante o envolvimento de toda a família e da comunidade em que a criança está inserida.

Já a falta de controlo dos níveis de açúcar e um esquema inadequado de insulina impedirão o equilíbrio metabólico, correndo a criança o risco de descompensação aguda, como o coma, e de complicações a longo prazo, que atingem sobretudo os olhos, os rins, o coração e os vasos sanguíneos.

O tratamento da Diabetes Tipo 2 faz-se inicialmente com comprimidos (antidiabéticos orais), sendo a insulina reservada para os casos mais avançados, com má resposta à medicação oral. Nas crianças e adolescentes este tipo de diabetes é ainda raro no nosso país, sendo o tratamento idêntico ao do adulto.

Prevenção

No estado atual dos conhecimentos, ainda não é possível prevenir a Diabetes Tipo 1. Apesar dos esforços da comunidade científica, a suscetibilidade genética, os fatores ambientais e o envolvimento do sistema imunológico fazem com que esta doença seja ainda impossível de prevenir ou de curar.

Quanto à Diabetes Tipo 2, é possível preveni-la no adulto intervindo na criança, nomeadamente na prevenção da obesidade desde o lactente até à adolescência. Para isso, promova hábitos saudáveis na sua família:

  • Mantenha uma alimentação saudável: evite os açúcares de absorção rápida (refrigerantes, bolachas), diminua o aporte de gorduras saturadas (fritos, margarinas e manteigas) e inclua sempre vegetais e fruta, ricos em fibras, nas principais refeições
  • Promova a prática de exercício físico 60 minutos por dia
  • Limite o tempo de ecrã a duas horas por dia

O seu pediatra deve estar atento aos percentis de peso dos seus filhos e orientar para consulta de Nutrição ou de Endocrinologia Pediátrica caso não estejam a responder a medidas não farmacológicas de controlo de peso.

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